30 de março de 2013Notícias Nenhum comentário

domingo da ressurreição

“Por sua morte e ressurreição Cristo inaugura do dia sem ocaso”

Leituras: Atos dos Apóstolos 10, 34a. 37-43; Salmo 117 (118), 1-2.16a-17.22-23 (R/24); Carta de São Paulo aos Colossenses 3, 1-4 ou Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 5, 6b-8; João 20, 1-9.

 

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA (Que o Círio Pascal seja o grande sinal deste Tempo Pascal)

 

Animador: “O Senhor ressuscitou, aleluia”! Feliz e Santa Páscoa a todos! Celebramos a vitória da vida sobre a morte e o pecado. É dada vida nova àqueles que confiam no poder salvador e libertador de Deus. Pela ressurreição de Cristo, a cruz torna-se sinal de vitória, amor de Deus e salvação da humanidade. Que neste “Ano da Fé”, possamos proclamar bem alto que “Cristo ressuscitou e está presente em nosso meio”.

 

1. Situando-nos

Atualmente, o Domingo na Ressurreição do Senhor (Tanto a Vigília Pascal, quanto a celebração do Domingo, estão sob a mesma designação Domingo de Páscoa – In Resurrection Domini: Vigília Pascal na noite Santa e Domingo de Páscoa), como é chamado este dia no calendário Litúrgico, contém duas missas: a missa da vigília ou missa da noite (a mais importante e mais antiga) e a missa do dia. Há uma possibilidade de se alterar o evangelho caso esta seja celebrada como missa vesperal (missa da tarde), mas os demais formulários (eucológico, antífonas) continuam os mesmos.

2. Recordando a Palavra

Tomando como referencia o refrão do Salmo Responsorial e assumindo-o como chave de interpretação desta liturgia pascal, temos a alegria de constatar o núcleo do edifício celebrativo de todo o tempo pascal que esta celebração inaugura.

O Salmo canta: “Este é o dia que o Senhor fez para nós!”. A versão grega para “dia” é “hemera”, traduzindo, por sua vez, o hebraico “yom”. Para além do sentido cronológico, esta palavra designa – sobretudo no contexto oracional sálmico – o Dia do Senhor. Segundo a tradição profética, é dia de julgamento e tem forte conotação ritual.

Mas, também, significa o último e grande dia em sentido escatológico; ocasião em que se realiza a plenitude da revelação divina e da comunhão da criação inteira com ela. Dia em que se dá a finalidade para a qual todos nós fomos criados: a glória de Deus. O mais importante, no entanto, é o fato de que este Dia – com toda a riqueza de sentidos – é um Dia de alegria e que se pode experimentar vivendo os “nossos dias”.

Este Dia divino, segundo a leitura tirada dos Atos dos Apóstolos, coincide com o “terceiro dia” (cf. At 10,40) e também com o “primeiro dia” (Cf. Jo 20,1). A alusão ao “terceiro dia”, citada por Atos, recorre à tradição judaica antiga. O “terceiro dia” é uma expressão que traz consigo a memória de grandes acontecimentos para Israel, em especial o sacrifício de Abraão e Isaac e o dom da Torá.

Como síntese, se pode compreender o “terceiro dia” como uma ocasião na qual se dá uma situação desesperadora, crítica, mas que é superada pelo dom da vida. Assim, ganha sentido o adágio antigo: “Jamais o Santo, bendito seja, deixa os justos angustiados durante três dias” (REMAUD, Michel. Evangelho e tradição rabínica. São Paulo: Loyola, 2007. P.153).

Já a expressão “primeiro dia” se aplica, particularmente, ao domingo e é qualificado pelo evento que nele se realiza: a Ressurreição de Jesus. É uma indicação temporal em sentido cronológico. Isto é, na concepção de tempo dos judeus corresponde ao período da noite ao contrario da nossa maneira de organizar os dias da semana.

Mas, não se pode deixar de notar uma referência ao primeiro dia do livro do Gênesis, em que o caos começa a dar lugar ao cosmos, pela ação criativa da Palavra de Deus. Portanto, o “primeiro dia” significa aquele tempo em que a vida se dá concretamente e no qual se dá o “hoje” da Páscoa de Jesus, o tempo no qual ele se manifesta aos seus amigos.

No primeiro dia da semana – uma ocasião localizável no calendário – é que se dá o fato da Ressurreição do Senhor. A liturgia de hoje não narra o acontecimento em si, mas as condições de um encontro que o trecho omite (Na bíblia, logo depois do versículo 9, tem lugar o encontro de Maria Madalena com Jesus). Um encontro que a comunidade poderá realizar somente se confiar no que vê como testemunho palpável daquilo que as Escrituras narram: “De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20,9).

3. Atualizando a Palavra

O texto de João que proclamamos, nesta celebração, conjuga o “Primeiro” e o “terceiro” dia. O Domingo – dia do Senhor – é ocasião concreta, experimentável para que os cristãos possam descobrir que Cristo Ressuscitou, segundo o testemunho das Escrituras. O Domingo, para os cristãos de todos os tempos, se mostra como uma submissão do ser humano e todas as demais criaturas a seu criador, uma vez que o tempo não existe em si mesmo, mas se dá nas percepções e inteligência do ser humano.

O “Dia” é uma imagem do ser humano. Portanto, dizer “Dia do Senhor” é falar do ser humano (e da criação inteira da qual ele é símbolo) como pertença a Deus. Em especial, por causa da Páscoa de Jesus, é uma maneira de colocar no centro das atenções a importância – e urgência – do ser humano redimido.

O Dia é uma imagem do ser humano que vive de processos, ritmos e ritos. Do ser humano que se vai construindo. Melhor dizendo, do ser humano que se vai revestindo de glória nas palavras da carta de Paulo aos Coríntios.

Esta experiência precisa encontrar lugar real e concreto em nossa época. O domingo, como um dia no calendário, não mais responde por aquela ocasião em que as pessoas podem obter o descanso, exercitar a convivialidade com a família e os amigos. É mais um dia de consumo, de produção, de lucratividade. Para a tradição ocidental da qual fazemos parte – por influência da fé cristã – o domingo era um dia para recordar a permanente necessidade de humanização. Mas, dia após dia, tudo é igual e as urgências humanas dão lugar às urgências econômicas.

Neste sentido, é fundamental reunir-se para celebrar, de modo que os gestos humanos revelem a Escritura e a Escritura lhes confira sentido, reorientando nossa existência. Nesta direção, é muito significativo o convite feito na aclamação ao Evangelho, reiterado, como antífona no canto de comunhão: “Celebramos, assim, esta festa, na sinceridade e na verdade”.

A Páscoa celebrada tende sempre a fazer-se verdade sincera em “nossos dias”, quer dizer, em nossa vida e em sua trama cotidiana. Sabemos que o cotidiano em si não existe – é algo sem forma. Mas o que lhe poderá dar cor, sabor, contorno, veracidade senão a experiência profunda do encontro com o Ressuscitado que continua a passar fazendo o bem como outrora Pedro afirmou?

Assim, o tempo pascal se estende diante de nossos olhos como um único dia, o Dia do Senhor, no qual a pessoa humana se redescobre e redefine como criatura de Deus, enriquecida com o seu Amor que a faz reconhecer-se filha bem-quista e com pleno direito à felicidade num mundo mais justo e mais cheio de paz.

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

A Liturgia das Horas traz como antífona do cântico evangélico para a oração da manhã (Laudes), no Domingo de Páscoa, o seguinte texto, aproveitado pelo Hinário Litúrgico da CNBB como Antífona para o canto de comunhão: “Na manhã do dia da Páscoa, tendo o sol aparecido, as mulheres vão ao túmulo. Aleluia!” (A versão do Pe. Joey Rodrigues, cheia de lirismo, entoa; “Mal começava o Domingo,a semana, lá vem as mulheres com flores e aromas. De passo em passo, de rua em rua. O sol já havia surgido, Aleluia!” (Hinário Litúrgico II p. 129).

Ir ao túmulo, encontrá-lo vazio e acolher o anúncio da ressurreição são gestos e fatos que ganham plasticidade na celebração litúrgica. Afastando-nos de uma interpretação alegórica, mas aplicando aos gestos litúrgicos a categoria sacramental, mediante a qual reconhecemos por meio deles o cumprimento das Escrituras no corpo da assembléia dos fiéis, é difícil não reconhecer a correlação: os fieis ao redor do Ambão, dialogando com o Senhor na Liturgia da Palavra, acolhendo o anúncio da Ressurreição por palavras, mas, sobretudo, por sinais (Madalena e a outra Maria, Pedro, o discípulo amado indo ao túmulo);

O crer que se exprime pela profissão de fé (perícope deste domingo, reservada ao discípulo amado); no trecho da Vigília Pascal para o ano A, às mulheres que vão apressadas com grande alegria contar aos discípulos o que viram e ouviram; na perícope de Emaús, os dois que reconhecem o Senhor na gestualidade de Jesus (No Domingo de Páscoa é possível o uso de ao menos três trechos bíblico-litúrgicos: Jo 20, 1-9; Mt 28, 1-10 (Vigília Pascal ano A) e Lc 24, 13-35 nas missas vespertinas);

O acontecimento pascal ainda à espera de ser compreendido, em sua totalidade, à medida que Cristo mesmo lhes abre a inteligência pela homilia: Pedro e Madalena que, ainda, não se encontraram com o Senhor aguardam o sentido dos fatos por meio da compreensão das Escrituras, os discípulos de Emaús que vêem seu coração arder à medida que Cristo lhes abre a inteligência ao explicar as Escrituras. Enfim, tudo quanto se narra nos textos bíblico-litúrgicos e que diz respeito à salvação se realiza na assembleia em celebração.

Lembrando o grande teólogo da liturgia, Romano Guardini, a celebração cristã guarda consigo um caráter epifânico: deixa transparecer a experiência do Ressuscitado; aquilo que se entoa na Sequencia Pascal é narrado pelos ritos na corporeidade da comunidade em festa: “Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado. Os anjos da cor do sol, dobrado ao chão o lençol”.

Por essa razão, ganha muito mais vigor, o rito da comunhão mediante os quais a assembleia litúrgica se dirige apressada ao encontro do Cristo feito alimento, enquanto se entoa a Antífona da qual falamos acima, conferindo o caminhar das pessoas em direção à Mesa do Senhor. Um sentido que ultrapassa a funcionalidade de uma fila para a comunhão; transforma o gesto dos fiéis em ocasião para que eles se encontrem com o seu Senhor, reconheçam que o Sol do Oriente nos veio visitar e nos livra das trevas, da escuridão.

Oração da Assembléia

Presidente: Na alegria que invade nosso nossos corações, elevemos nossas preces e peçamos que Jesus ressuscitado nos ajude a fazer a experiência de sua Ressurreição.

1. Ó Pai, que sois o autor da vida, conceda a Tua Igreja, ser no mudo um sinal da Ressurreição de Jesus. Peçamos:

Todos: Deus da vida, concedei-nos a vida em plenitude.

2. Ó Pai, que sois o autor da vida, faça com que nossos governantes devolvam a esperança que muitas vezes o povo perdeu. Peçamos:

3. Ó Pai, que sois o autor da vida, dá a todos aqueles que buscam a compreensão da Ressurreição e a esperança de um dia participar da mesma ressurreição. Peçamos:

4. Ó Pai, que sois o autor da vida, faça com que acreditemos que um novo tempo está nascendo entre nós. Peçamos:

(Outras intenções)

Presidente: Ó Pai, que sois a plenitude da vida, faça com que possamos ser participantes da vida nova que vem da Ressurreição de Jesus. Por Cristo nosso Senhor.

Todos: Amém.

III. LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as oferendas:

Oremos: Transbordando de alegria pascal, nós vos oferecemos, ó Deus, o sacrifício pelo qual a vossa Igreja maravilhosamente renasce e se alimenta. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração depois da Comunhão

Oremos: Guardai, ó Deus, a vossa Igreja sob a vossa constante proteção para que, renovados pelos sacramentos pascais, cheguemos à luz da ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor!

Todos: Amém.

 

AVISOS

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:

Presidente: O Senhor esteja convosco. Aleluia. Aleluia.

Todos: Ele está no meio de nós. Aleluia. Aleluia.

 

Presidente: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso nesta solenidade da Páscoa, cheio de misericórdia vos defenda de todo o perigo do pecado. Aleluia. Aleluia.

Todos: Amém. Aleluia. Aleluia.

Presidente: E aquele que na ressurreição do seu Unigênito vos restaura para a vida eterna vos cumule com os prêmios da imortalidade. Aleluia. Aleluia.

Todos: Amém. Aleluia. Aleluia.

Presidente: E vós terminados os dias da Paixão do Senhor, celebrais as festas da Páscoa, possais chegar àquele festim que se soleniza em gozos eternos. Aleluia. Aleluia.

Todos: Amém. Aleluia. Aleluia.

Presidente: A benção de Deus todo-poderoso Pai e Filho + e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça para sempre. Aleluia. Aleluia.

Todos: Amém. Aleluia. Aleluia.

Presidente: Levai a todos alegria de Cristo Ressuscitado, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

Todos: Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

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