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Pe. Ocimar Francatto: Dificuldades Encontradas na Participação Litúrgica - Parte III

Olá amigos e amigas!

Hoje nosso coração amanheceu entristecido com a notícia da morte de nosso amigo e irmão no sacerdócio, Pe. Vladimir Barbosa Hergert, ocorrido na madrugada desta quinta-feira, 16 de novembro, no hospital Celso Pierro, da PUC-Campinas. Que Deus na sua infinita misericórdia o acolha e faça morar com Ele por toda a eternidade. Descanse em paz, meu irmão e amigo!

É muito bom recebermos tantos comentários, escritos ou falados, das pessoas que estão aproveitando esta formação permanente que estamos fazendo neste espaço. Isso motiva o nosso estudo e a nossa pesquisa na liturgia.

Saibam que o meu esforço na compreensão da Liturgia não é só para celebrar melhor, mas para entender o que estamos celebrando, assim a celebração se torna cada vez mais mistagógica. Os meus estudos e minhas pesquisas não são só para mim, mas especialmente para vocês.

Então, vamos continuar com nosso assunto: DIFICULDADES ENCONTRADAS NA PARTICIPAÇÃO LITÚRGICA. Hoje faremos a Parte III

6. Homilias despreparadas

Há muitas homilias despreparadas que cansam o povo e nada contribuem para a formação da comunidade.

Precisamos sempre gastar um bom tempo para preparar bem a homilia. Sabemos que não é fácil preparar e fazer uma homilia.

Vai requer tempo, abertura de espírito, amor à Palavra de Deus, amor à assembleia que vamos dirigir a homilia, amor a Deus, respeito às pessoas...

Só, porque conheço aquele Evangelho, não estou dispensado em preparar bem a homilia.

O Documento do Concílio Ecumênico Vaticano II diz que todo o cristão “pela força do batismo tem DIREITO E OBRIGAÇÕES na liturgia” (Sacrosanctum Concilium, 14). E um dos seus direitos é ter uma BOA HOMILIA.

Etimologicamente falando, homilia vem da palavra grega "homilia", que significa reunião, conversa familiar, e esta por sua vez vem do verbo "homilein", que significa reunir-se, conversar. Assim a palavra homilia significa tratado ou conversa familiar.

A homilia procura criar uma ligação dos participantes da celebração com a pessoa de Jesus.

É um gênero de oratória mais simples e familiar em oposição ao discurso.

A homilia não um "sermão", que é mais solene, que possui regras da retórica e da arte da oratória. Não é um comentário bíbico-exegético. Não é catequese (embora a homilia possua uma dimensão catequética). Não é momento de avisos. Não é explicação, aula, doutrinação, tematização, argumentação...

A homilia é comunicação pessoal, inter-relação, diálogo profundo entre o eu de Deus e o tu do fiel e da comunidade, através de interpelação, levando a uma adesão sempre mais profunda, a uma resposta existencial. Tem um caráter narrativo. Devem-se usar sentimentos e símbolos como expressão da experiência. A teologia infelizmente ficou muito no nível racional; precisa recuperar sua relação com a espiritualidade.

A homilia destina-se a instruir e edificar os fiéis sobre os mistérios da fé.

Ela une a "mesa da Palavra" com a "mesa Eucarística", por isso ela faz parte integrante da Liturgia da Palavra (Sacrosanctum Concilium, 52). Deve ser uma aplicação da Palavra de Deus no hoje e aqui de nossa celebração e de nossa vida. Tem uma função exortativa e profética, mas numa dimensão sacramental serve, portanto, para encorajar, animar, exortar, consolar (Atos dos Apóstolos 13, 14-42).

A liturgia é entendida como manifestação de Deus - epifania. Revela todo seu amor e carinho. O mistério de Deus vai sendo aos poucos revelado. Esta compreensão faz ver a Palavra como sacramento. Desta forma a homilia é mistagógica. A palavra "mistagogia" significa conduzir para dentro do mistério. Assim, falar de dimensão mistagógica da homilia é dar destaque à sua função e missão de contribuir para que a comunidade celebrante penetre profundamente no rito em andamento e, penetrando no rito, retome, de maneira nova, a sua fé.

É certo que, para dar à homilia esta dimensão mistagógica, o ministro que recebeu da Igreja o ministério da homilia precisa cultivar em sua vida, esta relação de gratuidade com a Palavra, ser um praticante da leitura orante, um contemplativo que procura perceber, em todos os momentos de sua vida, sinais e migalhas viva que o Pai envia à terra, como espalha a neve como lã (cf. Salmo 147,15-16).

A dimensão mistagógica devolve à homilia o seu sentido originário de uma conversa familiar, de um aprofundamento da fé feito entre irmãos e irmãs, proporcionando a superação de práticas como o sermão, onde se discorre sobre determinado assunto ou se exorta para determinadas práticas. Para além do moralismo, do pieguismo ou da doutrinação, a homilia como mistagogia ajuda as comunidades a viveram o seu "kairós", isto é, o seu tempo de graça e de salvação.

Quem faz a homilia é normalmente quem preside a celebração. Na missa é o bispo ou o padre e de vez em quando o diácono (Ordo Lectionum Missae – Elenco das Leituras da Missa, 50). Na celebração dominical da Palavra será um diácono, um ministro(a) não ordenado(a) que coordena a comunidade ou um ministro(a) da Palavra. Que esta pessoa seja aceita pela comunidade e reconhecida pelos responsáveis da Igreja local (bispo, padre). Na missa com criança pode ser um adulto que participa da missa, principalmente se o padre tem dificuldade de se adaptar a mentalidade das crianças (Diretório para Missa com Crianças, 24).

O que se espera daquele(a) que faz a homilia?

Que seja uma pessoa de bom senso, com maneira simples de ser e de falar, tenha humildade e uma atitude de serviço;

Que seja uma pessoa de fé, tenha o costume de meditar e orar a Palavra de Deus, abertura de coração e disposição para a mudança de vida de acordo com o Evangelho e dê testemunho de vida;

Que tenha suficiente preparação bíblica, litúrgica, teológica e jeito (dom, carisma) para anunciar a Palavra de Deus;

Que seja uma pessoa que participe da vida da comunidade e da Igreja local (Diocese), esteja atenta ao que acontece, tenha um olhar contemplativo sobre a comunidade e sobre os acontecimentos para poder dar uma palavra profética;

Que acredite profundamente na força da Palavra de Deus que anuncia e se coloque como servo desta Palavra e não como dono dela.

Depois destas reflexões nós nos perguntamos: Como faço a minha homilia? O que a comunidade aproveita daquilo que falo? Estou ajudando na construção do Reino ou não?

Vejo que tudo isso é muito importante para quem faz a homilia e principalmente quem dela participa.

O que você diz das homilias que participa?

Até mais...        

                                    

Pe. Ocimar Francatto

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