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Quarta-feira de Cinzas

“Convertei-vos e Crede no Evangelho”

Leituras: Joel 2, 12-18; Salmo 50 (51); Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios 5, 20-6,2; Mateus 6, 1-6.16-18.

COR LITÚRGICA: ROXA

Animador: Com esta celebração de cinzas iniciamos nossa caminhada quaresmal rumo à Páscoa do Senhor. As cinzas simbolizam a penitência. A quaresma, a qual estamos dispostos a entrar e a vivenciar como cristãos é um tempo penitencial por excelência. As cinzas não apagam nossos pecados, não perdoam nossos pecados, mas nos fazem reconhecer pecadores e necessitados de conversão, de voltar a caminhar nos caminhos de Deus.

1. Situando-nos

Animados pela fé, iniciamos o Ciclo Pascal que tem a Quaresma como tempo de preparação. A Quaresma é o tempo que precede e predispõe à celebração da Páscoa: festa central do ano litúrgico.

O Papa Francisco nos faz um apelo: O Senhor nunca se cansa de ter misericórdia de nós, e quer nos oferecer uma vez mais o seu perdão, todos precisamos disso, convidando-nos a voltar a Ele com um coração novo, purificado do mal, purificado pelas lagrimas, para tomar parte da sua alegria” (PAPA FRANCISCO, Homilia da Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015).

O início da Quaresma é marcado com o rito da imposição das cinzas. Ela advém do antigo ritual com que os pecadores convertidos se submetiam à penitencia canônica. O gesto de se cobrir de cinzas tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que necessita ser redimida pela misericórdia de Deus. Longe de ser um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como símbolo da atitude do coração penitente que cada pessoa é chamada a assumir no itinerário quaresmal (Cf. Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia, n.125).

A celebração da bênção e a imposição das cinzas lembram as palavras de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. A Igreja suplica a Deus: “Derramai a graça da vossa bênção sobre os fiéis que vão receber as cinzas, para que, prosseguindo na observância da Quaresma, possam celebrar de coração purificado o mistério pascal de vosso Filho” (Oração da Bênção das cinzas. Missal Romano, p. 175-176).

Receber as cinzas, nesta quarta-feira, significa confirmar nossa fé na Páscoa de Cristo, na reconciliação, na esperança de um estar na comunhão do Ressuscitado. Participar do rito da imposição das cinzas, significa ainda, como convertidos, agir para que a fé continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva em um mundo em mudança.

2. Recordando a Palavra

No começo da caminhada quaresmal, Jesus nos dirige sua Palavra convidando-nos a seguir com Ele o caminho rumo à Páscoa. Sua Palavra, que chega até nós pelo Evangelho de Mateus, situa-se no centro do “Discurso da Montanha” (cap. 5-7), o primeiro dos cinco grandes discursos de Jesus, assinalados por este evangelista. Esta passagem tem como conteúdo o anúncio inicial da proclamação do Reino de Deus. Ela deve ser lida na perspectiva da constituição do novo povo de Deus, da nova aliança que se cumpre em Jesus, o Salvador.

Pela escuta da Palavra do Mestre e pela acolhida da misericórdia divina revelada em Jesus, superam-se a falsidade e a infidelidade, constitui-se o novo povo de Deus. É nesta perspectiva que podemos compreender a palavra do Evangelho proposto para a celebração da Quarta-feira de Cinzas: os cristãos são chamados pelo Mestre a assumirem, com fidelidade, as obras de justiça no relacionamento com o próximo: a esmola; para com Deus: a oração; para consigo mesmo: o jejum.

A esmola, a oração e o jejum são práticas antigas e consideradas parte dos exercícios da ascese espiritual. Elas sempre foram retomadas e recomendadas pelos mestres a seus seguidores. Contudo, ao longo dos tempos, estas prescrições foram corridas pelo formalismo exterior, ou se transformaram em um sinal de superioridade social (Cf. Lc 18, 9-14).

Jesus também retoma tais exercícios e, para que respondam à sua finalidade essencial, os enquadra na relação de intimidade com o Pai e com os discípulos. O evangelista ressalta o contraste entre a prática sugerida por Jesus e a dos fariseus e escribas. Para estes, tais práticas são expressão da observância da Lei, em vista da recompensa, mesmo que não correspondam a uma atitude interior.

Para o Mestre, a esmola, a oração e o jejum devem simbolizar a fidelidade e a comunhão do novo povo com Deus. Sua prática deve, contudo, evitar a busca de privilégios, poder e recompensas. Isto, além de bloquear a relação filial com Deus, torna-se fonte de conflitos entre as pessoas. A recompensa anunciada por Jesus não é a correspondência entre prestação de serviço e pagamento. Ela é dom divino, salvação. Ela é o Reino prometido e oferecido a quem, na obediência, abre-se às exigências de sua novidade.

O profeta Joel, diante das plantações devastadas pela praga dos gafanhotos, reflete com o povo sobre a exigência de uma nova vida. A devastação era um sinal da proximidade do dia do Senhor. O profeta incentiva o povo ao cuidado da terra devastada e convoca todos à conversão, à penitência e à mudança de vida. Isto não pode ser algo apenas exterior, aparente e sem conseqüências práticas, mas deve significar uma transformação radical rumo a Deus.

O Salmo 50 (51) constitui-se numa grande súplica pela libertação da desgraça pessoal e social causada pelos pecados. O canto desse salmo reflete a consciência contrita do pecador e sua confiança na ação misericordiosa de Deus. É ela quem gera um coração novo e imprime o espírito de santidade.

Na segunda leitura de hoje, o apóstolo Paulo interpela a comunidade: “Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixa-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20). Este esforço de conversão não é somente uma obra humana, é deixar-se reconciliar pela graça. A reconciliação entre nós e Deus é possível graças à misericórdia do Pai que, por amor a nós, não hesitou em sacrificar o seu Filho unigênito (Cf. PAPA FRANCISCO. Homilia da Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015).

3. Atualizando a Palavra

Na Quarta-feira de Cinzas, quarenta dias antes da celebração da Páscoa, a Igreja abre o tempo de penitência denominado de Quaresma. Este tempo precede e predispõe à celebração da Páscoa. Pela meditação assídua da Palavra de Deus, a oração e a prática da caridade, somos convidados a entrar na dinâmica pascal da conversão que consiste na passagem da morte para a vida, das trevas para a luz, do egoísmo e do pecado para a vitória da ressurreição. A Igreja proclama no Prefácio da Quaresma IV: “Pela penitência da Quaresma, corrigis nossos vícios, elevais nossos sentimentos e fortaleceis nosso espírito fraterno e nos garantis uma eterna recompensa”.

A Quaresma é um tempo primordial de conversão, isto é, de reconciliação com Deus e com os irmãos e irmãs. A Palavra de Deus nos convida a rever nossos relacionamentos com Deus, com o próximo, com o mundo que nos cerca e conosco mesmos, através da prática da oração, do jejum e da esmola. O terceiro Prefácio da Quaresma ressalta a ação pedagógica de Deus: “Vós acolheis nossa penitência como oferenda à vossa glória. O Jejum e a abstinência que praticamos, quebrando nosso orgulho, nos convidam a imitar vossa misericórdia, repartindo o pão com os necessitados”.

São Leão Magno afirma: “Aquilo que cada cristão deve realizar em todos os tempos, agora deve praticá-lo com maiores solicitude e devoção, para que se cumpra a norma apostólica do jejum quaresmal, que consiste na abstinência não apenas dos alimentos, mas também e, sobretudo, dos pecados. Além disso, a estes jejuns obrigatórios e santos, nenhuma obra pode ser associada mais utilmente que a esmola que, sob o único nome de “misericórdia”, inclui muitas obras boas. Imenso é o campo das obras de misericórdia (São Leão Magno, Discurso VI sobre a Quaresma, 2: PL 54,286).

O Papa Francisco afirma: “É meu vivo desejo que o povo cristão, durante o Jubileu sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. A pregação de Jesus apresenta-nos estas obras de misericórdia, para podermos perceber se vivemos ou não como seus discípulos.

Redescubramos as obras de misericórdia corporal: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. E não esqueçamos as obras de misericórdia espiritual: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos (MV, n.15).

As cinzas evocam nossa realidade humana. Através do gesto ritual da imposição as cinzas, reconhecemos nossa fragilidade e nossa condição de pecadores, como também a nossa disposição de caminhar para o dia maior da ressurreição, vivendo a misericórdia de Deus, a exemplo de Cristo obediente e ressuscitado. As cinzas, preparadas pela queima de palmas abençoadas no Domingo de Ramos do ano anterior, lembram o Cristo vitorioso sobre a morte. Se aceitarmos reconhecer nossa condição humana e nos transformarmos em pó, ou seja, passarmos pela experiência da morte, a exemplo de Cristo, pela renúncia de nós mesmos, participaremos também da vida que ressurge das cinzas.

Ao participar da celebração da benção e da imposição das cinzas, aderimos à dinâmica pascal. Páscoa que se vive na conversão por meio da prática da oração, do jejum e da caridade (esmola). É o Senhor quem nos convida a voltarmos para ele de todo coração.

Que a leitura e a meditação da Palavra de Deus, a participação nas atividades sugeridas pela Campanha da Fraternidade, no curso da Quaresma, nos conduzem à descoberta do rosto misericordioso do Pai!

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística

Com a celebração da imposição das cinzas, iniciamos o Tempo Quaresmal, ouvindo o convite do Senhor: “Convertei-vos! O Reino de Deus está no meio de vós”. A proclamação e escuta da Palavra de Deus, as orações, as ações simbólicas nos possibilitam experimentar a bondade infinita de Deus, como reza a antífona de entrada: “Ó Deus, vós tendes compaixão de todos e nada do que criastes desprezais: perdoai nossos pecados pela penitência, porque sois o Senhor nosso Deus” (antífona da entrada da Quarta-feira de Cinzas).

Na caminhada quaresmal, somos convidados a experienciar o Deus que acolhe nossa penitência, corrige nossos vícios, cuida de nós incansavelmente, fortifica nosso espírito fraterno, nos dá a graça de sermos nós também misericordiosos.

Hoje, na celebração da Eucaristia, nós nos oferecemos com Cristo ao Pai, pelo Espírito Santo. Que o sacramento pascal recebido na mesa da Palavra e na mesa da Eucaristia nos ajude a fazermos de nossa vida uma oferta agradável a Deus, especialmente pela vivência do jejum, do amor fraterno e da oração. “Ó Deus assisti com vossa bondade a penitência que iniciamos, para que vivamos interiormente as práticas externas da Quaresma”. (Oração da Coleta da sexta-feira depois das cinzas).

Nos passos de Jesus, caminhando rumo à Páscoa, revivemos a experiência daquele que a partir do batismo do Jordão caminha para o “batismo da Sua morte” (Mc 10,38; Lc 12,50). Contemplamos o mistério do coração transpassado e aberto do Redentor, do qual nasce a Igreja e provém toda a eficácia dos Sacramentos; e donde promana sangue e água (Jo 19,34), símbolos da Eucaristia e do Batismo. No Mistério Pascal, o testemunho concorde do Espírito, da água e do sangue (1Jo 5, 5-8) que manifesta o “nascer da água e do Espírito” para entrar no Reino de Deus (Jo 3,5).

PRECES DOS FIÉIS

Presidente: Irmãos e irmãs, ao iniciarmos o tempo santo da Quaresma, oremos pela conversão de todas as pessoas, para que, fazendo esse itinerário santo, possam rezar com fé e fervor os santos mistérios da Paixão, Morte e Ressureição de Jesus, dizendo: Dai-nos, Senhor, um coração novo!

1. Para os fiéis da nossa santa igreja, para que os exercícios quaresmais, seja um tempo favorável para se reconciliar com Deus e com os irmãos, oremos:

2. Para que os todos os governantes visem o bem comum de todos, e se esforcem assiduamente para promover a paz entre todos os povos, oremos:

3. Por todos os cristãos, para que se convertam e acreditem no Evangelho, oremos:

4. Por todos os pobres, marginalizados, doentes e idosos, que o Senhor os abençoe e os enriqueça com sua graça, oremos:

Presidente: Senhor nosso Deus, rico em misericórdia, vós que nos convida a conversão de coração, dai-nos a alegria de sermos salvos e guiai-nos pela força do Espírito Santo para a festa jubilosa da Páscoa. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém!

III. LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS:

Presidente: Oferecendo-vos este sacrifício no começo da Quaresma, nós vos suplicamos, ó Deus, a graça de dominar nossos maus desejos pelas obras de penitência e caridade, para que, purificados de nossas faltas, celebremos com fervor a paixão do vosso Filho. Que vive e reina para sempre.

Todos: Amém.

ORAÇÃO PÓS-COMUNHÃO:

Presidente: Deus, fazei que sejamos ajudados pelo sacramento que acabamos de receber, para que o jejum de hoje vos seja agradável e nos sirva de remédio. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

BENÇÃO

Presidente: Deus, Pai de misericórdia, conceda a todos vocês como concedeu ao filho pródigo, a alegria do retorno a casa.

Todos: Amém.

Presidente: O Senhor Jesus Cristo, modelo de oração e de vida, os guie nesta caminhada quaresmal a uma verdadeira conversão.

Todos: Amém.

Presidente: O Espírito de sabedoria e fortaleza os sustente na luta contra o mal para poderem com Cristo celebrar a vitória da Páscoa.

Todos: Amém.

Presidente: (Dá a bênção e despede todos).

 

CAMPANHA DA FRATERNIDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS

O tempo quaresmal é itinerário fecundo que prepara toda a Igreja para a celebração dos mistérios pascais. Celebrar a Páscoa é caminhar com Jesus e a comunidade de seus seguidores para Jerusalém. Ao longo da caminhada, Jesus vai revelando o seu projeto salvífico de libertar o ser humano das amarras do pecado e da morte.

Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade (CF) é um instrumento valioso, que serve a toda comunidade como apoio e motivação para a conversão social. Cada ano, em cada temática aprofundada, são apresentadas situações que ferem a dignidade humana, e assim a Igreja faz um apelo para que, enquanto sociedade, nos convertamos, buscando um agir mais pautado pelo evangelho.

Visando estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, com sinais de fraternidade, a Campanha da Fraternidade 2019 terá como tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27) e buscará conhecer como são formuladas e aplicadas as Políticas Públicas estabelecidas pelo Estado brasileiro.

A Campanha da Fraternidade 2019 terá início no próximo dia 6 de março (quarta-feira de Cinzas), em todo o país. O lançamento oficial será às 10h, no auditório da sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF). Na Diocese de Piracicaba, o lançamento também ocorrerá na quarta-feira, durante a missa de Cinzas celebrada pelo bispo diocesano Dom Fernando Mason, às 19h30, na Sé Catedral Santo Antônio, em Piracicaba.

A Igreja no Brasil desde 1964 realiza a Campanha da Fraternidade e a cada ano propõe um tema e um lema específicos, tendo sempre como objetivo conduzir e orientar as reflexões nas comunidades e grupos de quarteirões para um despertar da consciência sobre a realidade social, visando à busca do bem comum.

Com este propósito o Texto-Base desenvolvido pela Comissão Nacional da CF 2019 traz um vasto conteúdo que visa incentivar a participação de todo cidadão na construção de Políticas Públicas em âmbito nacional, estadual e municipal. Dividido no método ver, julgar e agir, o subsídio aponta uma série de iniciativas que ajudarão a colocar em prática as propostas incentivadas pela Campanha.

Durante a Campanha da Fraternidade, as paróquias são chamadas a promover ações para despertar a consciência e o interesse dos cristãos leigos e leigas para a importância de se acompanhar quais são os projetos de Políticas Públicas de sua cidade e participar dos Conselhos paritários municipais.

A reflexão proposta pelo tema da CF deste ano convida-nos a compreender: O que são políticas públicas? Como são construídas? E nós, movidos pelos valores do evangelho, que contribuição podemos dar a esse processo?

1. O bem comum e o cotidiano do povo

O tema escolhido para a Campanha da Fraternidade deste ano, “Fraternidade e políticas públicas”, tem o objetivo de estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade.

Trata-se de tempo propício para refletirmos sobre essa temática, pois, nos últimos anos, tem se verificado no Brasil uma complexa realidade na convivência entre os três poderes, e estamos inaugurando novo período em nosso país com o novo executivo, eleito em outubro passado juntamente com o legislativo.

A participação da população não se encerra com o voto. Pelo contrário, ali se inicia o compromisso de acompanhar os eleitos para que garantam à população seus direitos elementares, façam bom uso do dinheiro público e em tudo zelem pelo bem comum, que pressupõe sempre justiça, transparência e equidade.

Refletir sobre políticas públicas é importante para entender a maneira pela qual elas atingem a vida cotidiana e o que pode ser feito para que sejam efetivas, além de acompanhá-las com uma boa fiscalização, pois só assim são aprimoradas. Tal reflexão contribui ainda para a distinção entre “política” e “política pública”, oportuna sobretudo por causa da semelhança entre as palavras, que pode gerar confusões, sugerindo que possuem o mesmo significado.

A palavra “política” vem do grego politikós, que se refere a pólis, o lugar onde os gregos tomavam as decisões em vista do bem comum; era o espaço para garantir a ordem e estabilizar a sociedade de maneira pacífica, sendo marcado pelo conjunto de interações e conflitos de interesses.

A política direciona a vontade daqueles que participam dela, estando em toda parte, e não somente na ação do Estado. Ou seja, a política está na arte, nas relações de trabalho, nas empresas, nos clubes, nas associações etc.

O conceito de políticas públicas é recente, e seu entendimento tem diferentes interpretações. Há uma correlação entre as políticas públicas e as ciências sociais, as ciências políticas, as ciências econômicas e as ciências da administração pública. Essas grandes áreas contribuem para compreendermos o que é política pública e sua influência no cotidiano da população.

As políticas públicas, portanto, representam soluções específicas para necessidades e problemas da sociedade. São ações do Estado, que busca garantir a segurança e a ordem por meio da garantia dos direitos, e expressam, em geral, os principais resultados oriundos da presença do Estado na economia e na sociedade brasileira (CNBB, 2018, n. 15).

Podemos resumir, afirmando que política pública é a ação do governo e a sua relação com as instituições da sociedade, bem como com atores individuais e coletivos que buscam uma solução para determinado desafio. Essa solução necessariamente deve respeitar aquilo que já está garantido na Constituição Federal e em outras leis federais, estaduais e municipais. Ou seja, o governo, as instituições e os indivíduos da sociedade precisam estar articulados para que os direitos garantidos por lei sejam de fato os direitos de todos, não só de alguns.

Deveria fazer parte do cotidiano do povo acompanhar essas articulações. Não podemos simplesmente delegar isso a alguns e lavar as mãos. Precisamos participar, pois nossa participação é sementeira produtiva para que sempre nasça e cresça para todos o bem comum.

Diante da realidade apresentada, cabe-nos responder a algumas perguntas: Quais são as luzes e as sombras da democracia hoje? Como fazer políticas públicas? Como fazer crescer a participação do povo?

1.1. Sociedade democrática: luzes e sombras

O Brasil é um país democrático: nele o exercício do poder emana do povo, que, com liberdade, escolhe homens e mulheres para o representarem na gestão da Federação, dos estados e dos municípios, executando as leis, criando novas e fiscalizando a execução de todas.

A Constituição Federal de 1988 possibilitou introduzir no panorama político brasileiro o que está afirmado no parágrafo único do artigo 1º: “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”, de modo que foram criados mecanismos para o exercício de uma democracia direta, tais como os plebiscitos, os referendos e os projetos de lei de iniciativa popular. Possibilitou, ainda, que a gestão das políticas ligadas à seguridade social fosse descentralizada e tivesse a participação direta da sociedade civil (artigos 194, 198, 204, 206 e 227).

Compreender melhor o papel e o sentido das políticas públicas, despertar a consciência e incentivar a participação de todo cidadão na construção dessas ações em âmbito nacional, estadual e municipal constitui um dos objetivos específicos desta CF, bem como propor políticas que assegurem os direitos sociais dos mais frágeis e vulneráveis, trabalhando para que as políticas públicas eficazes de governo se consolidem como políticas de Estado. Mais uma vez, asseguramos a importância da presença da Igreja católica, por meio do clero e dos leigos, em busca de participação na resolução dos problemas sociais e em todo o processo de formulação das políticas públicas (CNBB, 2018, n. 21).

Nos últimos anos, temos vivido uma crise do modelo da democracia representativa, em que as tomadas de decisões ficam a cargo de técnicos e agentes políticos, sobretudo, em razão da complexidade da sociedade e de seus interesses. As pessoas já não se sentem representadas pelos que ocupam cargos eletivos (presidente, governadores, prefeitos, deputados, senadores e vereadores).

Contudo, não é só a instituição política que sofre com essa crise, mas também diversas instituições tradicionais, como escolas, movimentos sociais, sindicatos. Tais instituições vivem em crise de representatividade. Dessa maneira, cada vez mais pessoas tendem a participar e reivindicar o direito à participação no processo decisório.

As diferentes pessoas e organizações envolvidas no debate sobre políticas públicas e na participação nessas políticas são conhecidas como atores sociais, podendo ser indivíduos, grupos, movimentos sociais, partidos políticos, instituições religiosas, organizações públicas e privadas. A interação acontece na esfera pública, mas é também aí onde ocorrem os conflitos, as disputas, a cooperação e a negociação, para confrontar ou apoiar a implementação de determinada política pública.

QUARESMA

A Quaresma é momento litúrgico mais significativo em preparação para a Páscoa dos Católicos. São aproximadamente 40 dias. A caminhada tem início na Quarta-feira de Cinzas e se estende até a véspera na Quinta-feira da Semana Santa. Este ano, a Semana Santa será celebrada de 14 a 21 de abril, tendo como ápice o Tríduo Pascal (Quinta, Sexta-feira Santa e Sábado) e a Ressurreição do Senhor Jesus na Vigília Pascal e no domingo de Páscoa.

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

Extraído de Carta de São Paulo aos Romanos 8,19, a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2019 foi divulgada nesta última terça-feira, 26, pela Sala de Imprensa da Santa Sé e traz como tema “A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8,19). Nela, o Pontífice oferece algumas propostas de reflexão para um caminho de conversão durante o período quaresma.

O Pontífice destaca que a criação se beneficia da redenção do homem quando este vive como filho de Deus, isto é, como pessoa redimida. Neste mundo, porém, adverte Francisco, “a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte”.  Com efeito, prossegue o Papa, “quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo, das outras criaturas, mas também de nós mesmos. Isso leva a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo desejos incontrolados”.

Francisco lembra ainda que a Quaresma chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.

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